H.G.Wells

Nenhuma paixão no mundo é comparável à paixão por alterar os textos de outra pessoa.

de Thais=>para Lu

Winston Churchill

“Se você tem um argumento forte não tente atenuá-lo. Use uma britadeira. Bata uma vez nele, então volte e bata de novo. Então bata uma terceira vez.”

= Eduardo Leal =

Alfred Hitchcock

“Dê-lhes prazer, o mesmo prazer que eles têm quando acordam de um pesadelo.”

Da Lu > Pra Kelly

PERSONAS

Personas

 

Site a ser acessado: www.pitchingonline.com.br 

Persona 1:

Nome: Lucia Pedrosa

Idade: 36 anos

Características: simpática, empreendedora, responsável, conhece o ramo.

Perfil profissional:  gerente de produção em uma emissora de TV.

Perfil educacional:  graduada em comunicação social, cursa pós graduação em mídias digitais e interatividade para dar um upgrade no currículo.

Estilo de vida e desejos: gosta de viajar, pratica esportes (vôlei), tem culinária como hobby, assiste tv até mesmo por dever profissional,gostaria de ter mais tempo para passear com seu cachorro.

Contexto: Acessa o site no trabalho, pois ele lhe permite maior rapidez, praticidade, otimização no processo de escolha, mais opção de produtos. À vezes, dependendo do volume de trabalho, acessa de casa também, mas evita.

Objetivos e necessidades:  encontrar produtos de qualidade para a grade de sua emissora, em um site fácil, confiável e democrático.  

Persona 2:

Nome: Julio Torres Fonseca

Idade: 22 anos

Características: comunicativo, curioso, empreendedor, batalha seu espaço.

Perfil profissional: técnico em telefonia celular. Trabalha em um shopping,na loja da Vivo. Seu sonho é ser editor de cinema e TV. Trabalha como estagiário em algumas produções de cinema através de contatos de professores.

Perfil educacional: cursa o 5º semestre da Escola de Cinema Darcy Ribeiro.

Estilo de vida e desejos: assíduo freqüentador de cinema, gosto musical eclético,freqüenta a Lapa, se interessa por tudo de equipamento e edição, de periódicos a sites. Adora andar de bicicleta pela cidade.

Contexto: Acessa o site de casa, às vezes também de seu celular (tem tarifa diferenciada como funcionário da operadora), quando a ansiedade bate forte para ver se obteve alguma resposta positiva.

Objetivos e necessidades: colocar currículo pleiteando possíveis vagas na área, ganhar visibilidade e fazer contatos profissionais.

por maria elvira e luciana.

Nas tetas da viúva!

   

 

É um absurdo a forma como é gerida a coisa pública brasileira. Os governos que se sucedem mostram-se cada vez mais desinteressados em reverter este quadro. São de sua responsabilidade a organização produtiva da sociedade para a geração de empreendimentos e empregos.

Como nada acontece há anos, o jeito é cada um tomar conta da sua quitanda, buscando da melhor maneira possível levar alguma vantagem sobre a tal “coisa pública” brasileira. Todo mundo quer fazer concurso, para ganhar muito e não fazer nada.

Desta forma o Brasil patina na burocracia e na ineficiência, mergulhado em uma gestão que privilegia a preguiça, o jeitinho, o lobby e o clientelismo através de negociatas internas e externas.

O funcionário público concursado não sofre qualquer tipo de ônus por sua atitude. Ele simplesmente se adapta ao ambiente de trabalho contaminado que encontra, preocupado em não perder a mamata que o alimenta.

Infelizmente este é o sonho de consumo e o caminho escolhido por grande parte da população brasileira! Quem é aprovado em concurso público é homenageado por parentes e amigos, sendo considerado um grande sortudo e motivo de inveja por seus pares menos “afortunados”.

A vida segue e o povo e o país que se danem!

 

A cada aborto, duas vidas salvas

A cada aborto, duas vidas salvas.

Mais que um direito da mulher, interromper uma gravidez indesejada é a única chance de verdade que um ser gerado sem amor e sem cuidado tem de evitar um futuro trágico. Seja em caso de violência ou desinformação, na falta de educação sexual, o aborto é a salvação para a mulher que não escolheu ser mãe, não tem condições físicas ou psicológicas de ser mãe e, principalmente, não quer ser mãe.

Antes de estragar a vida de um ser que também não escolheu ser gerado, antes de colocar esse ser no mundo sem alguma condição de ter uma vida digna, cabe à mulher e só à ela, ter responsabilidade sobre a sua própria vida e sobre parte do seu corpo.

por Joanna
(exercicio proposto em aula para exercitar a argumentação)

Foto
persona1_baladeiraPersona1: “Baladeira”

Nome: Carol de Albuquerque Castelo Branco
Idade: 20 anos (mesmo que tenha 30)
Perfil Profissional: estagiária
Perfil Educacional: universitária, estuda educação física
Estilo de vida e desejos: aproveita mais a noite que o dia, usa a internet para saber das “boas” da night e o celular como se fosse parte do seu corpo. Ela e suas amigas vestem-se exatamente igual.
Contexto de Uso: usa o site através da internet (de casa) e mobile (sempre que possível). Perde o tempo que for necessário ate achar a boa, afinal, “Ficar em casa, jamais!”
Objetivos e necessidades: Deseja estar nas festas mais famosas da cidade, independente do dia da semana.
Onde e como vai utilizar o site: Acessa o site em busca de informações sobre programação da semana e como/onde comprar os ingressos. Está atenta e participa de promoções, seja por e- mail mkt ou sms

Persona2 : boa praça

Nome: Paulo Roberto Costa Souza
Idade: 35 anos
Perfil Profissional: funcionário público do detran
Perfil Educacional: formado em administração
Estilo de vida e desejos: cervejeiro, gosta de samba e futebol, sempre com muitos amigos.
Contexto de Uso: acessa o site do trabalho
Objetivos e necessidades: deseja estar nas principais rodas de samba e eventos do gênero.
Onde e como vai utilizar o site: Acessa o site em busca de informações sobre programação da semana e com/onde comprar os ingressos. Gostaria de encontrar informações sobre reservas.

Personas e Cenários

Informações sobre a técnica:

http://usabilidoido.com.br/personas_e_cenarios_para_antecipar_o_futuro_.html

Exercício em aula:

PERFIL 1 : PRODUTOR

Rafael, 30 anos, profissional da comunicação, ligado a audiovisual. Tem equipamento necessário para a criação de produtos audiovisuais. Tem dificuldade de encaminhar seus projetos aos veículos de comunicação.

Pratica esportes, gosta de sair à noite, tem intensa vida cultural, está antenado com as últimas novidades tecnológicas e lê pelo menos um livro por mês.

PERFIL 2: CANAL FUTURA

Emissora de televisão com carência de grade de conteúdo, que já promove um pitching anualmente e tem trabalho intenso para realiza-lo. Sua adesão ao projeto liberaria seus profissionais para se dedicarem a outras atividades.

É um canal educativo, preocupado com o desenvolvimento da sociedade e que também funciona como projeto social.

postado por Cristina Diniz e Taís Vilela

O futuro dos jornais na era digital – Clay Shirky

Neste artigo, Clay Shirky – professor da Universidade de Nova York, especialista em novas mídias e tecnologias e autor de Here Comes Everybody – reflete sobre o futuro dos jornais na era da internet e do compartilhamento da informação. (texto retirado do site do Instituto Moreira Sales)

Jornais: pensando o impensável

Em 1993, a cadeia de jornais Knight-Ridder começou a investigar a pirataria da popular coluna de Dave Barry, publicada pelo Miami Herald e amplamente distribuída. Ao seguir o caminho dessa distribuição sem licença, muito se descobriu: cópias de sua coluna no site alt.fan.dave_barry da usenet; uma lista de 2 mil assinantes que também lia as versões pirateadas; e um adolescente no Centro-Oeste que produzia cópias – por amar demais o trabalho de Barry, ele desejava que todos o lessem.

Gordy Thompson, que gerenciava os serviços de internet do New York Times, era uma das pessoas com quem eu trocava ideias on-line nessa época. Eu me lembro de ele dizer algo assim: “Quando um garoto de 14 anos consegue destruir o seu negócio nas horas livres, não porque o odeie, mas porque o ama, então você tem um problema”. Eu tenho pensado muito nessa conversa ultimamente.

O problema dos jornais não é que não tenham previsto a chegada da internet: eles não só previram a quilômetros de distância, como também entenderam rapidamente que era preciso um plano para lidar com ela. No início da década de 1990, eles não encontraram apenas uma, mas várias estratégias. Uma delas era a parceria com empresas como a American Online, serviço de internet por assinatura de rápido crescimento, menos caótico do que a internet aberta. Outra foi educar o público a como agir em relação às leis de direitos autorais. Novos modelos de cobrança, como os micropagamentos, também foram propostos. Além disso, se eles fossem totalmente sustentados por anunciantes, poderiam tentar obter as margens de lucro alcançadas pelo rádio e pela TV. Outra ainda era convencer as empresas de tecnologia a fazer com que seus hardware e software tivessem menos capacidade de compartilhamento, ou fazer sociedade com empresas de redes de distribuição de dados para atingir o mesmo objetivo. Então chegou-se à opção principal: processar diretamente os infratores dos direitos autorais, fazendo deles um exemplo.

Conforme essas ideias se articulavam, surgia intenso debate acerca dos méritos dos vários cenários. Estariam a DRM (Digital Rights Management – Gestão Digital de Direitos) ou os sites fechados para assinantes[1] funcionando melhor? Não deveríamos tentar uma abordagem de estímulo e punição[2], com educação e repressão? E assim sucessivamente. Em toda esta conversa, havia um cenário amplamente considerado como impensável, um cenário que não se tornou objeto de muita discussão das salas de imprensa do país, por razões óbvias.

O cenário impensável revelou algo assim: a capacidade de compartilhar conteúdo não enfraqueceria, ela aumentaria. Sites fechados para assinantes se tornariam impopulares. A publicidade digital reduziria ineficiências e, portanto, lucros. A rejeição a métodos de micropagamentos impediria seu uso generalizado. As pessoas resistiriam a ser educadas a agir contra seus próprios desejos. Antigos hábitos dos anunciantes e dos leitores não seriam transferidos para o mundo on-line. Mesmo litígios ferozes seriam insuficientes para constranger a quebra massiva e continuada das leis. (Proibição[3] revisitada.) Os detentores de direitos autorais não seriam considerados aliados pelos fabricantes de hardware e software, assim como consumidores não seriam considerados inimigos. O fato de a DRM requerer a permissão de o agressor poder decodificar o conteúdo seria uma mácula insuperável. E, segundo Thompson, processar alguém que ama tanto algo a ponto de querer compartilhá-lo somente criaria aborrecimentos.

As revoluções proporcionam curiosa inversão da percepção. Em tempos normais, as pessoas que apenas descrevem o mundo a seu redor são consideradas pragmáticas; já aquelas que imaginam fabulosos futuros alternativos são consideradas radicais. Acontece, entretanto, que as últimas duas décadas não têm sido normais. Nos jornais, aqueles que simplesmente olhavam pela janela e observavam que o mundo real estava incrivelmente parecido com o cenário inimaginável eram os pragmáticos. Esses eram tratados como loucos. Enquanto isso, aqueles que vislumbraram alternativas populares de sites com conteúdo fechado e a adoção entusiástica de micropagamento, visões não sustentadas na realidade, eram considerados não charlatães, mas os salvadores.

Ao rotular-se a realidade como impensável, ela cria um tipo de doença em uma indústria. A liderança torna-se dependente da confiança, enquanto os funcionários, audaciosos de sugerir que aquilo que parece estar acontecendo está, de fato, acontecendo, são remanejados para o Departamento de Inovação, no qual podem ser ignorados em massa. Esta artimanha para silenciar os realistas em favor dos fabulistas produz diferentes efeitos em diferentes indústrias em diferentes momentos. Nos jornais, um dos efeitos é que muitos de seus mais fervorosos defensores veem-se incapazes, inclusive agora, de planejar num mundo em que a indústria que eles conheciam está visivelmente desaparecendo.

* * *

O curioso acerca dos diversos planos traçados na década de 1990 é que eles eram todos, basicamente, da mesma natureza: “Vejam como nós iremos preservar as antigas formas de organização em um mundo de cópias baratas e perfeitas!”. Os detalhes divergiam, mas a hipótese principal subjacente a todos os efeitos imaginados (exceto o impensável) era de que a forma organizacional do jornal, como veículo cujo objetivo geral era publicar uma variedade de notícias e opiniões, era basicamente boa, e apenas precisava de uma nova cara digital. Como resultado, a conversa degenerou em um esforço entusiasmado, seguido de reações céticas.

“The Wall Street Journal tem um Paywall, então nós podemos também!” (Informação financeira é um dos raros tipos de informação cujos destinatários não querem partilhar.) “Os micropagamentos funcionam para o iTunes, portanto também funcionarão para nós!” (Os micropagamentos só funcionam quando o provedor consegue evitar os modelos de negócios competitivos.) “The New York Times deveria cobrar pelo conteúdo!” (Eles tentaram com o Qpass e, depois, com o TimesSelect.) “Cook’s Illustrated e Consumer Reports[4] estão indo bem com as assinaturas!” (Essas publicações abstêm-se da receita de anúncios; os usuários pagam não só pelo conteúdo, mas também pela idoneidade.) “Vamos formar um cartel!” (E fornecer vantagem competitiva a todas as empresas de mídia que veiculam anúncios no mundo.)

A conversa segue essa toada, com as pessoas empenhadas em salvar jornais exigindo saber “o que funcionará, em seu lugar, se o antigo modelo foi rompido?”. A resposta é: nada. Nada funcionará. Não há nenhum modelo geral para os jornais que substitua aquele que a internet acaba de romper.

Destruída a antiga economia, formas organizacionais aperfeiçoadas para produção industrial têm de ser substituídas com estruturas otimizadas para dados digitais. Cada vez faz menos sentido até mesmo falar sobre uma indústria de publicações, pois o problema central que a publicação soluciona – incríveis dificuldades, complexidade e custo de produzir algo acessível ao público – deixou de ser um problema.

* * *

A invenção de Gutenberg recebeu tratamento magistral de Elizabeth Eisenstein [no livro] The printing press as an agent of change[5] [A imprensa como um agente de mudança], num relato a respeito de sua pesquisa sobre o início da história da imprensa. Ela encontrou várias descrições de como era a vida no início dos anos 1400, a era anterior ao tipo móvel. A alfabetização era limitada; a Igreja Católica constituía a força política pan-europeia; a missa era celebrada em latim; e o livro mais comum era a Bíblia. Eisenstein também encontrou inúmeras descrições de como era a vida no final dos anos 1500, depois que a invenção de Gutenberg havia se disseminado. A alfabetização encontrava-se em ótima fase, bem como as obras escritas em línguas contemporâneas; Copérnico havia publicado sua obra fundamental sobre astronomia; e a maneira como Martinho Lutero utilizara a imprensa na reforma da Igreja provocava instabilidade religiosa e política.

O que Eisenstein enfocou, contudo, foi que muitos historiadores ignoraram a transição de uma época a outra. Descrever o mundo antes ou depois da disseminação da imprensa era uma brincadeira; essas datas estavam seguramente afastadas da convulsão. Mas o que acontecia em 1500? A difícil questão que Eisenstein coloca em seu livro é: “Como percebíamos o mundo antes da imprensa e depois dela? Qual foi a revolução propriamente dita?”.

Caótica, como se observa. Traduziu-se a Bíblia para as línguas locais; isso teria sido um ganho educacional ou trabalho do demônio? Surgiram as novelas eróticas, levando à mesma série de perguntas. Propagaram-se amplamente cópias de Aristóteles e de Galeno, no entanto confrontos diretos com os originais indicaram que as duas fontes conflitavam, embaçando a confiança nos Clássicos. À medida que a novidade se propagava, velhas instituições mostravam-se exauridas enquanto as novas pareciam não confiáveis; como resultado, as pessoas quase literalmente não sabiam o que pensar. Se não se pode confiar em Aristóteles, em quem se pode então confiar?

Nessa distorcida transição para a impressão, experimentos apenas revelavam-se posteriormente como momentos decisivos. Aldus Manutius[6], o gráfico e editor veneziano, criou o volume octavo[7] menor, junto com o tipo itálico. O que parecia uma mudança menor – pegar um livro e diminuí-lo – foi em retrospecto uma inovação chave na democratização da palavra impressa. Os livros tornaram-se mais baratos, portanto, mais portáveis e, por isso, mais desejáveis; assim, expandiram o mercado para todos os editores, fazendo crescer ainda mais o valor da instrução.

Assim são as verdadeiras revoluções. A antiga substância desintegra-se mais rapidamente do que o tempo de substituição da nova. A importância de determinado experimento não se encontra visível no momento de seu surgimento; grandes mudanças emperram, pequenas mudanças disseminam-se. Até mesmo os revolucionários não podem antever o que ocorrerá. Acordos mútuos de que instituições centrais devem ser protegidas são tornados sem significado por aqueles que o ajustaram. (Tanto Lutero quanto a Igreja perseveraram, durante anos, que, independentemente do que ocorresse, não se tratava de uma cisão.) Uma vez rompidas, antigas barganhas sociais não podem ser restauradas nem rapidamente ser substituídas, pois qualquer barganha dessa natureza leva décadas para se consolidar.

E assim ocorre hoje também. Quando alguém quer saber como substituiremos os jornais, na verdade, eles querem ser informados de que não estamos vivendo uma revolução. Eles querem que lhes seja dito que os antigos sistemas não vão se romper antes que novos sistemas estejam em seu lugar. Eles querem ser informados de que as antigas barganhas sociais não se encontram em perigo, que as principais instituições serão poupadas, e que os novos métodos de propagação de informação melhorarão as práticas anteriores em vez de substituí-las. Eles querem uma mentira.

Há menos e menos pessoas que podem dizer convincentemente dizer essa mentira.

* * *

Se você quer saber a razão de os jornais enfrentarem esse tipo de problema, o fato que mais chama a atenção é este: rotativas são terrivelmente caras de instalar e de manter. Essa parte da economia, normal desde Gutenberg, limita a competição enquanto cria retornos positivos de escala para os proprietários das gráficas, um feliz par de efeitos econômicos que alimentam um ao outro. Numa cidade hipotética que tem dois jornais perfeitamente balanceados, um deles finalmente desenvolveria alguma pequena vantagem – uma história de impacto, uma entrevista-chave – de tal modo que tanto anunciantes quanto leitores viriam a preferi-lo, ainda que sutilmente. Esse jornal passaria então a considerar mais fácil captar o próximo dólar da publicidade, a custos menores, do que a concorrência, o que aumentaria sua preponderância, que aprofundaria ainda mais essas preferências, e assim sucessivamente. O resultado final é a segmentação geográfica ou demográfica entre os jornais, ou um jornal mantendo o monopólio da audiência local.

Durante muito tempo, de fato mais tempo do que qualquer um na indústria dos jornais tenha vivido, o jornalismo impresso esteve mesclado a essa economia. O custo de impressão criou um ambiente no qual o Wal-Mart desejava subsidiar o escritório de Bagdá. A razão disso não era devida a nenhuma ligação entre publicidade e reportagens, nem a nenhum desejo real por parte do Wal-Mart de destinar seu orçamento a correspondentes internacionais. Foi apenas um acidente. Os anunciantes não tinham muita escolha além de ter seu dinheiro utilizado daquela forma, já que realmente não tinham outro veículo para expor seus anúncios.

As antigas dificuldades e os custos de impressão obrigaram todos a fazê-la em uma gama similar de modelos organizacionais. Foi essa similaridade que nos fez considerar o Daily Racing Form e o L’Osservatore Romano como sendo do mesmo ramo de negócios. O fato de essa relação entre anunciantes, editores e jornalistas ter sido ratificada por um século de práticas culturais não a torna menos acidental.

Os efeitos de desvio da competição causados pelos custos de impressão foram dizimados pela internet, em que todos pagam pela infraestrutura, e todos a utilizam. E quando o Wal-Mart, e o negociante local da Maytag[8], e a empresa de advocacia que estava contratando uma secretária, e aquela criança no outro quarteirão que estava vendendo sua bicicleta, viram-se todos aptos a utilizar essa infraestrutura para se libertar de sua antiga relação com o editor, eles o fizeram. Afinal, eles nunca se comprometeram a financiar o escritório de Bagdá.

* * *

A mídia impressa faz muito do trabalho pesado jornalístico da sociedade, cobrindo de aspectos minuciosos de uma grande história até o trabalho diário e monótono de acompanhar as sessões da Câmara de Vereadores. Isso promove benefícios mesmo para aqueles que não leem jornais, pois o trabalho do jornalismo é destinado a todos, de políticos a advogados locais, de apresentadores de programas de rádio a blogueiros. “Os jornais beneficiam a sociedade como um todo”, as equipes jornalísticas sempre repetem. Não deixa de ser verdade, mas torna-se irrelevante diante do problema que temos à nossa frente: “Vocês vão sentir a nossa falta quando não existirmos mais”. Isso nunca foi grande exemplo de modelo de negócios. Então, quem cobrirá todas as notícias se uma parcela significativa dos funcionários dos jornais perderem seus empregos?

Eu não sei. Ninguém sabe. Estamos coletivamente vivendo em 1500, quando é mais fácil vislumbrar o que se rompeu do que enxergar o que o substituíra. A internet faz 40 anos. O acesso ao público em geral tem menos da metade desta idade. O uso da Web, como parte normal da vida para a maioria do mundo desenvolvido, tem menos da metade desta idade. Acabamos de chegar a este ponto. Nem mesmo os revolucionários podem antever o que acontecerá.

Imagine, em 1996, pedir a algum especialista da rede que explicasse o potencial da Craigslist[9], que, na época, completava um ano e ainda não tinha sido incorporada a nenhuma grande empresa. A resposta provavelmente seria uma extrapolação: “Listas de discussão podem ser ferramentas poderosas”; ou “Efeitos sociais estão se entrelaçando com redes digitais”; e blá-blá-blá. O que ninguém lhe disse, ou mesmo poderia lhe dizer, é o que de fato aconteceu: a Craigslist tornou-se peça fundamental da infraestrutura. Não a ideia dela nem seu modelo de negócios ou o software por detrás dela. A própria Craigslist expandiu-se para cobrir centenas de cidades e tornou-se parte da consciência pública sobre o que é possível agora. Os experimentos neste retrospecto tornaram-se os grandes pontos de mudança.

No desvio gradual da Craigslist de “interessante, mas pequena” para “essencial e transformadora”, encontra-se a possível resposta para a pergunta: “Se o antigo modelo faliu, o que funcionará em seu lugar?”. A resposta é: nada funcionará, porém tudo poderá funcionar. Agora é o momento para experiências, diversas experiências, e cada uma delas parecerá tão pequena em seu início como a Craigslist parecia, como a Wikipedia parecia, como a encadernação de octavo volume parecia.

O jornalismo sempre foi subvencionado. Às vezes, pelo Wal-Mart e pela criança com a bicicleta. Às vezes, por Richard Mellon Scaife[10]. Cada vez mais, somos eu e você, doando nosso tempo. A lista de modelos que estão obviamente funcionando hoje, como Consumer Reports e NPR (National Public Radio)[11], como ProPublica[12] e WikiLeaks[13], não pode ser estendida para cobrir nenhum caso geral, mas nada cobrirá o caso geral.

A sociedade não necessita de jornais. O que precisamos é de jornalismo. Durante um século, os avisos para fortalecer o jornalismo e para fortalecer os jornais foram de tal forma entrelaçados que se tornaram indistintos. Essa é uma casualidade que pode ocorrer, mas, ao cessar, como cessa às nossas vistas, precisaremos de muitos outros meios para que o jornalismo se fortaleça.

Ao desviar nosso enfoque de “salvar jornais” para “salvar a sociedade”, a demanda se altera de “preservar as atuais instituições” para “fazer aquilo que funciona”. E o que funciona hoje não é o mesmo que costumava funcionar.

Não sabemos quem é o Aldus Manutius da atualidade. Poderia ser Craig Newmark[14] ou Caterina Fake[15]. Poderia ser Martin Nisenholtz[16] ou Emily Bell[17]. Poderia ser alguma “criança” de 19 anos de quem poucos de nós ouvimos falar, trabalhando em algo que não conseguimos reconhecer como importante antes que transcorra uma década. Qualquer experimento, por assim dizer, desenhado para fornecer novos modelos para o jornalismo, será um avanço em esconder-se do real, especialmente num ano em que, para muitos jornais, o futuro impensável já se encontra no passado.

Nas próximas décadas, o jornalismo será feito pela sobreposição de situações especiais. Muitos desses modelos vão se apoiar em pesquisadores e escritores amadores. Muitos desses modelos vão se apoiar em patrocínios, subvenções (ou bolsas de estudo) ou doações em vez de receitas. Muitos desses modelos se apoiarão em 14 animados anos de distribuição de resultados. Muitos desses modelos vão falhar. Nenhum experimento substituirá o que estamos perdendo agora com o “falecimento” nas notícias em papel, mas, com o tempo, a coleção de novos experimentos que funcionam vão nos trazer o jornalismo de que precisamos.

NOTAS

[1] Sites fechados para assinantes: no original, Shirky utiliza a expressão do jargão tecnológico walled gardens (em tradução direta, “jardins murados/fechados”). Nos walled gardens, os assinantes da operadora têm acesso apenas a um conjunto restrito de serviços e conteúdo provenientes de provedores que assinam contrato com a operadora.

[2] No original, o autor utiliza a expressão do jargão administrativo carrot-and-stick, que indica a maneira de programar hábitos que usa estímulo (cenoura) e punição (bastão).

[3] O autor se refere à proibição da comercialização de bebidas alcoólicas ocorrida nos anos de 1930 nos Estados Unidos, uma das medidas usadas para reverter a crise econômica do país, mas que não deu certo e estimulou a venda ilegal.

[4] Revista mensal norte-americana, Consumer Reports publica análises de produtos e serviços.

[5] Cambridge: Cambridge University Press, 1980.

[6] Aldus Manutius (1452-1515): humanista, editor e tipógrafo italiano, considerado um dos primeiros mestres do design tipográfico, tendo definido os padrões estéticos dos novos livros – não só impressos com tipos móveis, mas extremamente diferentes das obras manuscritas da Idade Média.

[7] Um “octavo volume” é uma unidade de 13-15 cm por 20-23 cm, que é o tamanho padrão da maioria das revistas. Uma folha dobrada em octavo é dobrada no meio três vezes para a criação de oito folhas.

[8] Maytag: empresa norte-americana de eletrodomésticos.

[9] A Craigslist é uma rede de comunidades online centralizadas que disponibiliza anúncios gratuitos aos usuários.

[10] Richard Mellon Scaife é um bilionário conservador, herdeiro de fortunas do mundo das finanças, petróleo e jazidas de alumínio. Além disso, é o proprietário da Tribune-Review Publishing Company.

[11] NPR (National Public Radio – Rádio Pública Nacional): a sigla também representa outras rádios públicas dos Estados Unidos.

[12] ProPublica – Journalism in The Public Interest: é uma organização jornalística norte-americana independente, sem fins lucrativos, que promove o jornalismo investigativo de interesse público.

[13] WikiLeaks é uma plataforma em que os usuários podem postar de forma anônima documentos que vazaram de governos, empresas e instituições religiosas.

[14] Criador da Craigslist.

[15] Cofundadora do Flickr, site da web de hospedagem e partilha de imagens fotográficas.

[16] Vice-presidente sênior de Operações Digitais da New York Times Co.

[17] Diretora de conteúdo digital do Guardian News & Media.

postado por Taís Vilela

Arquitetura de Informação – Sistemas de Rotulação e de Informação